quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pardal

A resposta foi um " não". E do lado de cá tudo parou.
Um silêncio mortal e imóvel,
Houve um sopro, que me fez pensar. Voz de um morto que se foi.
Respondi o "não" também, dei-me conforto e corri sem olhar para trás;
Ouvi novamente a voz e do outro lado, estava uma pedra...
Eu pulei e cai com a minha face que se dilacerou na rocha dura, áspera e acinzentada.
curei as cicatrizes, curarei os ferimentos com unguento e chá bento,
lavarei as doloridas feridas nas folhas das ervas umedecidas pelo orvalho que caiu da noite, que era breu;
Morreu dentro de mim, como se fechou o corte sangrento da carne, o desejo da pele que cheira
baunilha, e guardei com muito cuidado e carinho todos os curativos numa caixinha debaixo da minha cama, hoje pela manhâ á enterrei.
Vou pintar á parede do meu quarto, jogarei algumas palavras , termos que aprendi á usar;
farei uma limpeza em meu guarda-roupa, estou pensando em jogar uns desenhos fora; algumas letras em papel, presentes empoeirados, e um sonho encaixotar, esse é grande.
pensei num rio caudaloso, com flores ás margens, arvores frutiferas e peixes coloridos, e um canto de um pássaro qualquer.
Ouvi uma voz, era mulher, me chamando e me alertando: Banha-se nessa água!. Era uma voz materna. Janaína.
Voltei a dormir, e me ocorreu um cabelo louro, despigmentado, e hoje avermelhado.
Barulhos de carros na rua, uma pessoa chama no msn.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Provocantes da pintura

Gostei de tanto de ver sua pintura exposta e colada á parede com fita crepe, que senti como aquele pescoço é um traço Modigliani, nas esticas da pele para dar todo aquele movimento expessivo e agressivo da imagem, com fundo verde e algumas texturas em laranja- tinta, mas uma laranja mesmo, meio laranja-fruta, encontrados em pomares dos vales de santa catarina, é toda uma doçura cítrica que se faz nas espalhadas tintas sobre o papel.
Seria doce de ver sem óculos essa pintura e ter, se quer por alguns minutinhos, essa sensação que você teve, e agora é cotidiano de sua vida linda, o viés sem as proteções da lente que antecedia seus olhos para a observação. Sua pintura é toda uma beleza singular que não se resulta em críticas de um " estudioso fóda " dessa área chamada artes, visuais, pelo viés das lentes e pelas necessidades de se dizer crítico, e poder estar dizendo aquilo que bem lhe convém, nas premissas de ser um mero observador primário, das margens daquilo que não viu do processo.
Vulcão, é um sinônimo interessante, mas para você é uma pétala de uma flor exótica, tão perfumada e provocante. Nas lânguitudes dos pescoços que se estendem pelas fibras de celuloses, com as cores certas, das quais eu busco para mim, é o que quero ficar, e você fez essa pintura com as visceralidades de ser menina e ser mulher. Quero uma imagem dessa para mim, quero comer a tinta que se espalha pelo pescoço sujo dos ateliês, pela unhas encardidas da mão calejada dos resíduos colorantes que á resultou, nas gostas do seu suor que caiu do pensamento, e quero colocá-la no meu quarto só para mim, e minhas outras figuras. Figuras essas que fazem parte do meu imaginário e que sustentam os meus devãneios noturnos e soturnos, vou vê-la se desprender do papel e sentir deitar na cama comigo, amando suas curvas e todos o seu tamanho de pescoço, sentirei seu cheiro de tinta e me molharei nas texturas cremosas de suas superfícies.
Está nas planicies dos papeis e também está nas ondulações imagéticas de meu pensamento, como um patinho branco que voa no céu e que vejo da minha janela atravessando as terras para encontrar o calor, esquecendo do frio. Desejo-te mais uma vez, cores presas ao papel, quadro, tela, pintura que estás chegando perto de mim.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Agora.Ponto

É uma música, poesia.
Dita e gravada na voz, negra Brasileira.
Está nas veias e nas visceralidades humanas,
Cai na profundeza abissal e mergulha nas amarguras,
Doçura estúpida de amar, dor do peito batido
no canto da pia da cozinha
Agora. É uma letra, palavra, texto
de coisas urgentes, e há ponto.
Ponto que se encerra e que clama,
ela vem no som da chuva, candelária
é uma nação yorubá.
Agora. Ponto!
Ponto de gira.
Agora de urgência.
Oração das tempestades mentais.
Estás dentro de mim,é uma maré tortuosa da perda.
É agora. É ponto.
"Somos un suenho impossible que busca la noche".
Somos una gota de sangre en una canción.
Somos dois no mundo, que morre.
E ninguém e nem a vida se importa com essa separação.
Somos duas gotas de sangue em uma canção.
Nada más.
Agora. Ponto.
Referência as dores atuais.
Uma película espanhola.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A ponta da linha. Carretel que se perdeu debaixo do móvel. Estava solta no braço do sofá, e se escondia pelas frestas na divisa entre o braço e o assento. Ali dentro havia muitas coisas, e num pequeno espaço as migalhas, sujeiras e dejetos perdidos nunca mais encontrados disputavam a pequena vaga entre o couro da mobília.
Desaparecem nesse local constantemente moeda, palitos de fósforos, bitucas de cigarros, comida (arroz, milho-verde, feijão, macarrão, todos secos), era uma bagunça de coisinhas pequeninas nesse apertume escondido. O que não se achava podia ter certeza, era ali encontrado após meses de procura, isso acontecia geralmente nas limpezas detalhadas que se sucediam em datas pontuais, e não com tanta freqüência dentro da casa.
Uma pontinha de linha de repente apareceu, e se fez presente entre as rachaduras do couro do sofá. Senti vontade de puxar e ela veio generosa em minha mão, puxei mais uma vez e ela correu deliciosamente pelo meio do pequeno espaço apertado. Puxei mais vezes e ela se fez dançar, percebi que há uma distancia próxima se fazia um barulho de um objeto familiar. Fui procurar, e encontrei debaixo do sofá, um carretel de linha, que se estendia, passando por entre á fresta indo parar no chão.
Fiz o movimento contrário, puxei agora pelo carretel todo o restante de linha que eu tinha puxado lá em cima, eu estava deitado no chão, e me senti dono daquele carretel, mas ele veio pouco até eu sentir um puxão, algo impedindo o seu deslize. Movimentação, sensação e ação bem diferente, puxar a linha para sentir o carretel e agora o carretel para sentir a linha.
Tentei mais uma vez, mas algo prendia e impedia seu deslize. As tentativas foram várias e senti algo que não deixava ela se soltar e estar livre, ou, enrolada mais uma vez ao entorno do carretel. A investigação durou alguns minutos até eu perceber que entre as linhas da costura da fresta do sofá, estava um nó da própria linha que se embolou, não sei como, mas que não possibilitava a sua passagem.
Arrebentar foi o pensamento, mas como eu queria que toda ela estivesse junta mais uma vez? Eu me senti semelhante, pedaço de mim não pode estar distante de mim, mesmo estando tão perto. Arrebentar não seria assim a melhor idéia, e depois tentar unir novamente não seria também o mais correto. Não queria separar aquilo que não fui eu que uni.
Investi mais uma vez e ai pensei, naquele nó, como ele pode ter formado ali?
Será que alguém o colocou naquele lugar?
Como isso poderia ter acontecido?
Não tem e não precisa ter explicação, os nós se formam e para desatarmos precisamos da paciência e do tempo. Ele era presente e eu estava impaciente.
Levantei-me e agora por cima, afastei as duas partes do couro, e com ajuda das mãos, pude afastar as linhas da costura, empurrando para baixo o pequeno nó, até vê-lo livre impedindo o movimento do resto. Ela voltou para todo o entorno do carretel, e fez parte durante algum tempo da ornamentação da prateleira do meu quarto.
Hoje toda essa linha com nó e tudo está na roupa de um boneco que costurei, dei uma funcionalidade para aquele enrrosquinho, da linha da costura que contribuiu na formação dessa pequenina roupa.
Hoje esse carretel está na caixinha de costura fazendo companhia com agulhas, dedal tesouras e coisinhas de coser, sobre á maquina de costura e pedaços de retalhos dos tecidos no cômodo da casa que fora destinado á isso.

domingo, 7 de setembro de 2008

Canto para Janaína

O sobrado de mamãe é debaixo d’água
O sobrado de mamãe é debaixo d’água
Debaixo d’água por cima da areia
Tem ouro, tem prata
Tem diamante que nos alumeia

Dona do raio e do vento




O raio de Iansã sou eu,

Cegando o aço das armas de quem guerreia,

E o vento de Iansã também sou eu ,

E Santa Bárbara é santa que me clareia.

A minha voz é vento de maio,

Cruzando os mares dos ares do chão

Meu olhar tem a força do raio, que vem de dentro do meu coração

O raio de Iansã sou eu

Cegando o aço das armas de quem guerreia.

E o vento de Iansã também sou eu,

E Santa Bárbara é santa que me clareia,

Eu não conheço rajada de vento mais poderosa que a minha paixão,

Quando o amor relampeia aqui dentro,

vira um corisco esse meu coração

Eu sou a casa do raio e do vento

Por onde eu passo é zunido, é clarão

Porque Iansã desde o meu nascimento, tornou-se a dona do meu coração

O raio de Iansã sou eu...

Sem ela não se anda

Ela é a menina dos olhos de Oxum

Flecha que mira o Sol

Olhar de mim.
Paulo César Pinheiro

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Ainda

Mesmo sabendo eu teimo em acreditar que tudo é lindo e maravilhoso,
Que tudo é certo e perfeito.
Minha cabeça inocente de menino sonhador divaga na esperança de estar vivendo sonhos encontrados em contos de fada e nas músicas ditas " românticas" de nossos dias. Sofro ainda com o ponteiro do relógio, e com as circunstância do tempo, na leveza da fumaça e na divagação após alguns copos de cerveja.
Ainda como nunca esperei, espero a concretização do desejo, enquanto vivo a nostalgia melancólica que me alimenta nos dias e cotidianos dessa minha vida, como uma doçura de beijar os lábios sonhados e tocar as costas, sempre viradas á mim. Espero apanhar o vento e beber a chuva que cai de muito longe direto, dentro da minha boca, num momento de tempestade, numa estrada ensolarada e com vento fresco de final de tarde.
Ainda estou aqui e nada.
Ainda percebo suas palavras e me decepciono com a falta de compromisso que tenho comigo.
Eu corro e ainda você está parado.
Corre dentro de mim o amargo desejo de viver só e a ilusão do esperado.
Estou só, apenas com minhas linhas, que não me levam á nada, apenas linhas que formam, desenho na minha frente e criam movimentos belos que me levam ao sorriso.
Vou entrar num desenho e me alimentar com os restos do grafite que ficam sobre o papel.
Ao menos terei o alimento para viver, e estarei na beleza de viver á magia.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Vadiagem urbana

" - por quê você fica muito feia ao digitar?"
Os dois:homem, mulher.
Ela faxineira, ele porteiro.
- ambos levam horas conversando, matando tempo e enrolando o trabalho. Levam uma manhã inteira para varrer o quintal, "suposto quintal", sujo pela beleza da natureza, as folhas,galhos e flores. Pacotes de pipoca torrada doce cor-de-rosa,e copos brancos descatáveis. A cada alguns lances de vassouras, ora um , ora outro, param para a deliciosa conversa matutina, muito tempo passaram distantes,e a conversa é longa e duradoura,( tempo estados longe um do outro, das 18:00 hs do dia anterior ás 08:00 desse dia) apenas 14 horas, o tempo para dormir e acordar, da distância das demoradas esperas de seus ônibus coletivo.
Algo curioso:
É como as paredes tivessem imãs para puxá-los e agarrálos durante algum tempo,até soltá-los e voltarem á rotina das lançadas das vassouras pelo chão.Assim passam-se á manhã toda durantes alguns dias.
No final do expediente:
Cumpriram toda a meta, e a diretoria lançam-lhes elogios e condecorações, ganham destaque no mural da instituição pelo bom desempenho realizado, e um dia de folga, ' funcionário exemplar".
A vida se faz e se cumpre pela monotomia e vadiagem humana, cotidiano de seres urbanos e metropólicos.

domingo, 3 de agosto de 2008

Tá sendo dificil....

É dificil conversar contigo...pois, você é eu.
E não entendo minhas palavras, pois, suas plavras são minhas.
Vivo á confusão mental em imaginar que você existe, e me desespero na vida em saber que um dia te perderei, nas minhas coxas, na minha boca, nas minhas costas, nos meus pelos. É duro imaginar e pensar que um dia será certa essa história que criei e alimentei dentro de mim. Você vive dentro de mim, e morre dentro de mim. E eu carrego o cadáver que é você, como um peso no meu estômago, dificultando meus passos e minha caminhada.
Você rí á distância e pouco se importa com meu sofrimento, que é duro de segurar. O mar é prova de todos esses caminhos que percorri, pois, quando andava, eu parava no mar, que não me deixava prosseguir. As espumas inúmeras vezes tentei apnanhar mas ela se dissolvia em minha mão como á sua presença, que nunca esteve aqui.
Agora tá sendo dificil de aceitar á decissão de quê não quero mais acreditar, e vai ser mais dificil ainda aceitar o futuro que é dor do presente vivido na ansiedade, desejo e sonho de viver ao seu lado.
Boca morena que estás muito longe de mim.

' não sei entender"


Parece o que não é . E é o que não parece.
Loucura da expressão humana nos esboço de um vaso de flor.
Feminilidade transviada.
Mulheres e mulheres.
Não sei entender, o " ser " humano.

domingo, 27 de julho de 2008

"Judith"

" Judith-cara de madeira"
Edson Macalini

Presa á madeira de uma prateleira-guarda-roupa de meu quarto, fos-te tú companheira de algum tempo.

Hoje encontra-se em outros cômodos da casa, e faz companhia á paredes espremidas por outro móvel, que não dá a importancia de sua existência. Sua cara de madeira-pau-lâminas, era a completa junção dos riscos dos veios causados e dispostos pela natureza, quando um grafite espesso formou o seu rosto, na brilhante mistura dos elementos. A fotografia, luz, captação de luz, deu á sua parte á fazer seu retrato sendo exposto numa página da internet.

Judith, como lembro daquele momento que se formou diante dos meus olhos, como sinto saudade daquela emoção, e da sua boca grande, num corpo tão pequeno e miúdo, sendo o contraste assimétrico que faz-se tão evidente, à face e as mediçoes corretas da humanidade.

O que lembro de você?:... - momentos olhando pra tí,tempo...tempo...tempo...,esperando uma resposta certa daquilo que viria de longe e que me faria feliz. Tudo ilusão, você ainda existe, mesmo eu não vendo, mas o inexistente, também existe, perturbando o meu pensamento.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Verde-Casca de Melância

verde,verde,verde, que te quero verde
dia verde, em luz verde ao raiar o dia
louca obsessao esperançosa cor de bandeira (brasileira)
num olhar em folhas de bananeira
pouco,verde, tudo verde
repetidas vezes refletidas a cor da clorofila
em aguas puras cristalinas
em olhares doces verdes
o seu sorriso num tom verde de casca de melancia
faz nascer a esperança de cada dia.

domingo, 13 de julho de 2008

Areia,...água e sal


(Discussão com o tempo)

Fiz uma mistura de todos esses elementos. E o que constatei?
Que tudo pode ser realidade, e também utopia.
Que tudo pode se transformar, e ser presente.
Que tudo pode ser ilusão, e nos afogarmos na espumas da praia.
Hoje vi o agora.
E ao ler um texto, que foi escrito para mim,
Senti uns tapas fortes na cara. E não exitei.
Terminei de ler até o final, e senti uns beliscões d’baixo da língua, e me calei. Por algum momento vi seu rosto na minha frente. Rosto que não tenho certeza das linhas de expressão. Hoje sei que amo o agora, e entendi que o agora é a hora.
Pensei nas barrigas esfomeadas de crianças que vivem nas ruas, e pensei: - não devemos esperar. Corra, foge, grita, limpa e viva.
O tempo é muito para esperar.
Faça uma mistura de elementos naturais e ame estar próximo ao colo da mãe. Eu já esperei. E me afoguei em poças de águas rasas, por não saber onde estava pisando.
O engano, é um punhal que corta fraco, mas é muito profundo nas marcas. É uma corda ao pescoço, um peso aos pés, e as palavras enrolam-me á língua, e ilude meu frágil coração.
Quero á certeza na pisada certa. E se não tiver certeza, creio que um pouco de astúcia terei para percorrer essa estrada sinuosa, que está difícil de ver o que está atrás das curvas da montanha.
Viverei o perigo de viver, e me envolverei nas fumaças dos canos dos escapes dos carros,e comerei o bolo que você ainda não fez para mim, mas que já comi o bolo do enrolo, do tolo que você é que reflete em mim, que sou o enrosco na confusão do tempo e da duvida dessa existência de carne que perambula por caminhos tortuosos.
Farei a poção da mistura, e serei a conclusão do desespero da insanidade humana de viver.

domingo, 6 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Rede-moínho


É um redemoinho.
Não daqueles vistos e encontrados no tempo.
Não ocasionado pela instabilidade do tempo.
Não visto num dia ventoso e de poeira das ruas.
Não das chuvas e dos inicios das tempestades.
Não vistos na tv quando desabriga pessoas.
Não da noticia do jornal comprado na banca.
Não da moça do tempo.
Mas um redemoinho na carne.
Na pele.
No rosto.
Pêlos.
Pela barba que corre na face.
Pelos curtos movimentos dos pêlos.
Pela pele que abriga o pêlo.
Pêlo de pele peluda.
Pela barba.
Pêlo da cara barbuda.
Pelo redemoinho.
Pêlo.

domingo, 29 de junho de 2008

O que seria perfeito...

Aborto, 50X 70 cm, acrilica sobre tela
Edson Macalini

O que seria perfeito, nasce morto e deformado.
loucuras das buscas dos seres humanos por beleza comprada e adiquirida através de dedicação á todo custo pelo encontro ao corpo perfeito.
É estranho de pensar como tem pessoas que se mutilam, e a todo custo esperam por um dia ser desejado como objeto de prazer, dentro de um contexto simbolo sexual.
Mas á verdade e a realidade é dura com tudo isso.
Pois, o que seria perfeito é apenas uma ilusão meramente aparente e forçada da estética bela e simétrica que nao muda; apenas desvia do caminho que estava á tempo atrás.
É como moldar em cima de uma textura acidentada e aspera deixando-a lisa e " pefeita" mas copntinua por baixo do mesmo jeito, tapamos " o sol com a peneira".
Fechamos os olhos para nao vermos, mas o sentimento, sente.
Então aquilo que nasceria perfeito nao tem resistencia e é abortado pela pressão mental enviada.
Nasce morto e deformado.
Paralelas dedicada á pintura-tela, num dia de questionamento e revolta do corpo-mente-humano.

sábado, 28 de junho de 2008

Geléia


Doces sabores da vida, nas pequenitudes minimas de viver;

Tô fazendo uma geléia, uma compota, um doce, uma xímia,

Encontro as melhores fruta, ingredientes, e o jeitinho certo de fazer lá na quitanda;

E a receita???...:

frutas, qualquer... que você queira, ao seu gosto, paladar,desejo;

açucar, cristal ou mascavo;

cravo,canela, nós-moscada;

água;

fogo, fogão;

panela....paciência, prepraro, palavras de gratidão;

A geléia é assim, deliciosa, simples, porém ,caro nas prateleiras de mercado, e as melhores?

Aquela feita no sitio,nas casas das vovós ,das mamães, das pessoas de boa vontade. Na quantidade certa da fruta, na quantidade certa da fome,cheiro e aroma, na maravilha da natureza e da vida após á queda da flor na árvore- fruta.

Tô fazendo uma geléia. Tô pegando fruta no pomar. Tô distribuindo frutas na quitanda.

quem quer???...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Bom dia, todas as cores!


A borboleta e a largarta. ela nao sabia nada disso.
Mudança, metamorfose, feiúra e beleza.
O galhinho de hortelã; água na panela.
Miau.
Dá o rabo na cara dela.
Lati o cão no pátio. coisas bobas de cão safado chamando á atenção.
Brincadeira de criança.
Brincadeira choradeira, pra quem vive uma vida inteira,
mentirinha falsidade pra quem vive só pela metade.
O monstro tinha medo da princesa.
Ele era verde,peludo, com manchas estranhas,
Mas adorava histórias infantis, devorava livros.
Ai que medo da princesa, só adorava histórias
de monstrinhos.
- Ai mamãe que medo tira essa princesa, ela deve ter um dente mamãe!!!
Tira.
O meu amigo camaleao, acordou cedo, lavou seu rosto numa folha com orvalho
e saiu desfilar com a cor que ele achava mais linda.
Cor-de-rosa.
Adoro cores com nomes de frutas, legumes, flores e outros.
Laranja, verde-limão, cor-de-rosa, abóbora, tem mais?
Digam-me.
Gafanhoto gosta de verde.
Sabiá laranjeira gosta de laranja.
Pernilongo gosta de azul.
Sapo-cururu gosta de cores jovens e vivas, nada de cor desbotada e antiga.
O camaleão ama o rosa, que acha a cor mais bonita de todas.
Eu gosto de amarelo,martelo,marcelo,marmelo.
Coisa da escola. Livro do aluno.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

É assim...


A escada, eu, meus pés, mãos, abraços...
Nada mais...
A subida, e nada encontrado- costas.
Apenas : costas.
É isso o que eu econtro.
Paredes de carnes, hostilidades, desprezo, solidão, ossos frágeis de meus dedos
Boca trêmula de medo - não.
É assim... passos, subidas, caminhadas, nada.
O nada é minha relação com o tempo.
Ele me promete tudo, mas nada traz.
Só leva minha vontade de ver.
Ver ainda, não sei o que é.
Diz uma certa oração ao tempo:
Tempo, tempo, tempo, tempo.
E para por ai, ele não se resume á nada.
Apenas tempo.
Êta relógio da vida.
Silencio. para olha.
Não verá nada.
Mas, olhe.
Olhe.
Escada.
Eu.
Tempo.
Tuas costas.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Cultura Mexicana

Frida Kahlo
Manuel Alvarez Bravo

É bem curioso pensar e ver a cultura mexicana.


Temos exemplos bem claros de alguns artistas que estão, de vez em quando, sendo mostrado por ai.


É no âmbito artistico, cultural e econômico que vejo essa cultura.


Em fotografias, pinturas, esculturas e filmes.


Parece em alguns momentos uma cultura arcaica e de tempos remotos...


Quando penso, me lembro: em pimenta, tecidos coloridos, músicas chorosas e melancólicas, comidas quentes e picantes, tequila, pinturas fortes e muito expressivas, dores e pirâmides.


cultura mexicana. oque mais tem?


...

Manuel Alvarez Bravo







domingo, 22 de junho de 2008

Quitanda


Tô montando uma quitanda
Com muitas frutas e sabores
Tô montando uma quintanda
Com muitas promoçoes e cores
Tô montando uma quitanda
Com muitos cheiros e licores
Tô montando um quitanda
Em minha vida
No meu quarto,nas minhas palavras
No meu sonho, no meu desejo
O pomar que abastecerá minha quitanda
Fica dentro de mim
A terra é produtiva, é rica
Tô montando uma quitanda em cada
Esquina dessa cidade
E os preços?...Esses nao nao existirá
Quero matar á fome daqueles que padecem
E sentem o desejo da cor-do cheiro-do sabor
De uma deliciosa fruta
Tô montando uma quintanda no mundo
Para alimentar os sonhos
Tô montando uma quitanda
Aonde voce quiser que eu monte.
Tô montando uma quitanda...

terça-feira, 17 de junho de 2008

" Cachos-Cintilantes-Ondulantes"

BBeth de almeida
amiga verdadeira.
Em toda á esfera de nossa vida, como é assim pensada e falada. A gente nasce, cresce-cresce, e vamos para lugares onde não sabemos, mistério da existencia humana. Mistérios da relaçao humana e das poeiras ventosas que batem nas pálpebras dos olhos e sacodem os cabelos.



Cabelos da cor da maravilha humana feminina e da loucura das risadas estupefantes nas bocas carnudas rosadas-brilhantes.



Essas palavras ícones lembram-me á gostosura e o saboreio da amizade e do desejo de viver em braços quentes e afagos aconchegantes.


Lembro-me da sua presença muito proxima de mim, e ás vezes caio nas gargalhadas deliciosas, das lembranças das corridas, dos momentos dificeis de nossas vidas, água-poieira-terra- calor-chuva-frio. E o buraco no estômago na bebidas amargas de cafés com cremes na superfícies, e também dos lábios queimados pela ventania do cotidiano cascavelense.


A vida trouxe-nos um para o outro, na corrida de viver e sobreviver o sonho tão desejado e sonhado, das locuções e das falas, dos palcos e das entrevistas, dos comerciais televisivos e do aperto do bolso nas vitrinas. Mas tudo na história das relações, nao se resume á aventuras, e das risadas de hoje nas lembranças do passado...


Mas é disso que quero falar:



Insconstãcia é uma palavra boa pra você, pois vive á cada dia a novidade e a loucura efêmera, como uma escultura de papel na chuva, ela molha, e logo vira papel novamente, é como o restauro e o novo... A utopia e a fruta no pé, ela deseja cair ou ser apanhada, e ser devora por uma boca sedenta.


Você vive na cabeça e sonha com o coraçao, brilha como á agua jorradas do âmago da terra, e tem uma intensidade puramente viva e lilás de viver. Você é o feminino,vivendo o feminino, sendo feminina. Amo-te na loucura de viver e quero-te na loucura de amar uma amizade pura e doce de sermos amigos.


"minha amada modi"

"minha amada modi"
desenho sobre papel- giz de cera.
edson macalini

Seu corpo é uma languitude-esguia, e tem um olhar penetrante-apavorante, ela faz parte da decoraçao do meu quarto e me olha quando estou dormindo.

Diante de seus olhos, já pôde perceber todos os caminhos da minha intimidade, e da minha fragilidade humana, estás sempre acompanhada com outros olhos, mas está sempre sozinha no pensamento.

Toma uma verticalidade da parede, que á altura não é suficiente para sequer mostrar o resto de seu corpo. Longo-Comprido-Imenso.

É um estilo-mulher-girafa, vive nas loucuras da vida de ser mulher e corre nos hospicios da vida urbana pelas ruas de pedras cercadas pelos edificios. É sempre adimirada pelos bons olhos. Estes são sempre de pessoas como ela, Pura-Bela-Louca-Feia.

Adora correr no meio das multidões e bater seus ombros nos dos outros transeuntes, e grita nos ouvidos daqueles que nao sai da sua frente, um ruido ensurdecedor e horrorizante, e o susto é uma onda de energia muito temorizante.

Eu á amo com uma vontade gratuita, e gosto de olhar seus olhos tristes e pesados, quando dirigidos á mim toca uma sinfônia Melancólica-Romântica-Ópera. A sua boca é um delirio ao se mostrar os dentes encavalados dentro do buraco negro que carrega na face, e suas indumentárias são simples e casual e sempré há uma gargantilha no seu perscoço, dando um toque impulsionando á feminilidade visual.

Mas é com amor que falo de você aos outros meu simples papel, Minha Amada Modi, lânguida, mostro-te pelas paredes do meu quarto e pelas loucas cores paredantes do nosso cômodo esprimido á guarda-roupa, cama, mesa, e roupas. Te amo no aperto dessa vida apartamentária, e na vida barulhenta de todos os dias.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

'"Avênturas da Busca"

o menino das baquetas
edson macalini ( acrílico e giz-pastel)

A criança pensa e busca significados o tempo todo.


Ela cria, explora, interroga e questiona.


A criança é o ser da busca.


Portanto as suas descobertas sempre são uma aventura.


Penso que no ato criativo-construtivo, deve acontecer dentro desse ser " criança", fenômenos.


Tais fenômenos até abstratos para a nossa cabeça-dura-velha de adulto.


Mas a criança é tudo isso e muito mais, dificil de explicar esse ser"zinho"...




Avêntura no pais das crianças.




Certo dia, um menino que gostava de ver ônibus passarem pelas janelas de sua casa e ser quando crescer motorista dessas máquinas que carrega gente, encontrou na rua quando estava vindo de sua escola duas hastezinhas de madeira. Tais quais tinham á sua ponta uma bola que era de madeira tambem. Achou interessante e resolveu guardar na sua mochila.


Continuou sua caminhada.


A fome arrasava seu estomago, pois, jás era quase hora de almoçar e sua mãe o espera com um delicioso banquete tipico de casa da mãe.


Mais adiante viu um instrumento estranho jogado numa lixeira de uma casa, tinha um formato um tanto curioso e diferente para os seus olhos, resolveu parar e averiguar o que era aquele estranho objeto.


O que encontrou?...


Não sabia.


Resolveu investigar. Virava pra lá e pra cá, nao entendia, virou de ponta cabeça, olhou de baixo, olhou de cima, nada,... oque era aquilo?


Foi derrepente que derrubou ao chão um pedaço. Era um como uma tecla de um piano, maior e mais pesada, essa ao cair emitiu um som lindo, ensurdeceu o seu ouvido, uma luz clara veio aos seus olhos, e derrepente milhares de seres saltitantes vieram á sua frente, saindo da lixeira, pulando das árvores, saindo do boeiro.


Cada um trazia á mão um instrumento musical com um som diferente do outro.


Tava pronta á orquestra só faltava esse menino tocar.


De repente um apareceu-lhe e agarrou-lhe á perna, dizendo ao olhar para cima:


- Que bom que você veio,estavamos esperando-o á muito tempo.


Aos poucos foramtrazendo nesse mesmo lugar alguns objetos,...móveis, cadeiras, mesas, e coisas que esse menino desconhecia.


Um outro corcunda ápareceu á frente num pequeno pedestal que foi-lhe posto, e levantou uma pequena varinha, esta era tão pequena, mas tinha uma iponência muito representativa para esses seres, todos calaram, se sentaram, e dirigiram o olhar para esse senhor"zinho" minúsculo que estava á frente.


O menino nesse empurra-empurra foi levado para trás desses e foi possicionado bem ao fundo, estava certo, ali era o seu lugar.


Novamente á varinha elevou-se da mão do mestre e todos começaram á afinar seus instrumentos.


Uma força estranha e muito magnetizante começou á conduzir á mao do menino que logo soltou seu primeiro som. Estava mais que certo e definido, aquilo dominaria sua vida e conduziria-o á aquilo que chamamos de vida profissional. Quando tudo estava pronto, a varinha deu o sinal, e todos numa sincrônia absurda e exata começaram á tocar seus instrumentos e emitir a nota correta para á obra escrita pelo grande músico barroco do mundo dos seres'zinhos".


A mao do menino foi tomada como já havia dito, por essa força , e a precissão era tanta que nao errava se quer uma nota, era ele o certo e esperado músico-percurssionista-orquestrista que tanto esperavam.


Findou-se á sinfonia, e mais uma vez apareceu á sua frente uma intensa luz, que quase cegava os olhos, e os sons eram ensurdecedores e variavam á mente humana como numa loucura sonora. Foi logo em seguida que sentiu um puxão desesperado e ualguns sussurros de surpressa e alívio, era sua mâe que corria á sua procura por horas no desespero de ter perdido o filho querido, ele dormira durante horas debaixo de uma árvore com as baquetas nas mãos e o instrumento, que mais tarde descobriu que era uma marimba.


Sua vida nao foi mais á mesma, era nas salas de ensaios e nas trocas de ideias que musicos mirins de sua idade se encontravam para contar á alegria da descoberta de novas possibilidades de tocar musica.


Mas só ele sabia, que seu inicio foi algo mágico e de uma avêntura sem comparação econtrou o que busca mas não sabia...
Mas o que é curioso:
Esses seres"zinhos", ainda o esperavam na calada da noite para compor á equipe da famosa orquestra do mundo imaginário dos seres'zinhos".




domingo, 8 de junho de 2008

"O Menino e o Balão-Pirulito"


Gosta das doçuras da vida, e dos ares esféricos do balão-borracha-barbante.
Corre nas ruas poierentas, e grita com os colegas á fugir dos cães das casas vizinhas, quando á bola da brincadeira escolhida; na tarde daquela dia cai no patio do quintal.
A louca delicia de viver, é como a doçura crocante das cores do pirulito comprado com os centavos encontrados nos potinhos que ficam em cima da geladeira da cozinha, quando sobra o trocado na aquisiçao do leite para o café da manhã.
Uma vez esse menino, que tem uma barriguinha saliente e sardas no seu rosto redondo-rechonchudo, falou para mim abrindo sua boca-morango-rosada, com hálito de doces comprados em 'banquinhas de madeiras" que ficam á frente da escola do bairro onde vive, uma frase muito interessante:
- Cantam os pintainhos no galinheiro.
Parei,... Pensei... O que deveria ser aquilo?. Por que essa frase?
Resolvi investigar...
O que descobri?...
Ah!sim, descobri.
Tinha medo dos galos mais velhos do galinheiro e das galinhas cacarejantes empuleiradas sobre á vara no fundo do recinto. Essas, sempre eram gordas, penosas e muito futricantes, sua penas eram brilhosas e vigorosos eram os seus ovos. Já o galo, o rei da parada, era esguio e galanteoso, tinha o poder do sono e a dominância do pedaço, acordava antes de todos"as" e empunha seu peito para frente saltando do seu pulmão ( devo admitir: nao sei como se constitui o organismo dos galináceos, mas acredito que tenha pulmão) um canto como nenhum outro, o canto do bom-dia do campo,ou das cidades do interior, e dos orvalhos da neblina noturna.
Esse menino coitado: Tinha vontade de ver os pintainhos, mas o medo era tanto que temia ser devorado por um bico voraz desses seres de penas sobre duas pernas.
Ele tambem me contou que quando criança, para dormir, sua mâe o amedrontava dizendo:
- ó, ô galo!!!...
Isso se repetia por várias vezes até pegar no sono. Aquele sono gostoso e levemente pesado que só as crianças acredito que devem ter. Gostaria de dormir assim agora, como uma criança na doçura do chupar de um gostoso pirulito.
Todo o desejo de ver esses bichinhos, eram impedidos do medo da frase da querida mãe, que jamais temeria o que poderia acontecer á esse menino no futuro.
Enquanto isso, ao ouvir os pios do lindos penujinhos, ele empinava o seu balão colorido e se deliciava nas gostosuras dulcíssimas de ser criança.

sábado, 7 de junho de 2008

" Confusão de Bolsos"

Tentava se organizar pelas palavras, mas nao conseguia se quer orientar ás suas mãos em movimentos óbvios e simples. Se perdia nos mais corriqueiros gestos, e nas curvas das roupas do seu corpo. Era com muitos compartimentos, bolsos, tinham entradas, saídas, caminhos, passagens, e era escrita e identificada por vários nomes.
Me lembro de uma vez que ouvi ser chamada de uma palavra-expressão um tanto curiosa, feia para uns, bonita para outros, mas eu em particular, até que gosto: Eslaque.
Tentava mais uma vez,... duas,... tres,... quatro,...infinitas possibilidades, tentativas, mas era sempre á mesma coisa, se confundia nos buracos de panos que carregava sobre ás pernas, conversava muito sobre ideologias e pensamentos de lutas sociais, tinha uma verborragia muito bonita, um sotaque nordestino, doce e interessante para moradores do sul do pais do mundo tupiniquim, e se encantava com o sonho do produto criado e idealizado que fora enviado ao interior do sul do pais, video-arte-cotidiano.
Usava sempre o jeans, á calça básica dos dias comuns e do cotidiano do trabalhador, a camiseta era malha e como assessório corporal óptico carregava á fronte de seu rosto, sob o nariz um óculos: lembro de um trecho do livro candido ou o otimismo, voltaire, num momento em que um certo filosofo tentava achar explicaçoes para as " coisas", dizia: " o nariz serve para sustentar os óculos, por isso usamos óculos". Mas a sua vida nao era extamente assim: era objetiva pois o que pensava era em coisas urgentes dessa sociedade-urbs e dos problemas sociais, infantis e tristes dessa vida miserável. Tinha sempre ás suas costas uma bolsa-tiracol vinho, com trechos e palavras de peso social.
Nas conversas e nos bate-papos corridos dos corredores, esse certo menino-personagem que gosta de conversas objetivas do flagelo humano, era tão pontual, e certo do que queria, mas se perdia como dizia, na confussao dos bolsos de sua calça jeans companheira do dia-a-dia.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Minga- zóio de prata



Eram elas as senhoras-donas, ali no beco do Calabrote.Quem transitasse pelo beco, tivesse cuidado... Passasse quieto e bonzinho. Não se engraçasse nem fizesse cara de pouco. E quem fosse de entrar, empurrasse a porta de dentro, com fala curta e dinheiro pronto. Escândalo de mulher-dama não dava; nunca deu; também, nunca foram levadas, como tantas, para capinar na frente da cadeia. Família de respeito podia passar toda hora, não via nada. Macho, porém, que não se fizesse de besta... Eram donas e autoridade no beco. O beco era delas. E tinham prestígio.Duas irmãs, morando juntas na mesma casa, de porta e janela aberta aos homens que quisessem entrar; isso a Zóio de Prata. Já a Dondoca, tinha seu homem e era pontual a ele só.Também eram conhecidas por As Cômodas, na roda da macheza. Minga era durona. Não tretasse com ela, saindo sem deixar a taxa... Um que tentou a rasteira, ela alcançou já fora do beco e deixou sem as calças no meio da rua.Tinha mesmo um bugalho branco, saltado, e era vesga do outro. Espinhenta, de cabelo sarará, mulatona encorpada, de bacia estreita, peito masculino, de mamilos duros, musculosa; servindo bem no ofício, de fala curta, braço forte, mãos grandes.Um dia, voltava ela do mercado com um frango na mão, deu de cara com a irmã chorando, de cara amassada e beiço partido. Tinha entrado na peia do amigo — o Izé da Bina — à-toa, ruindade de pingado ordinário. Dei'stá — disse ela — sai fora e deixa por minha conta. Óia, vai depená esse frango pra nóis na casa da vizinha e só entra quando eu chamá...Dondoca foi fazer o mandado. Estava ela na casa da vizinha depenando o frango, quando chegou o Izé da Bina, todo mandante, de paletó preto, gravata borboleta, calça engomada.Entrou no quarto e gritou autoritário pela Dondoca. Quem apareceu foi a Zóio de Prata, de manga arregaçada e porrete na mão. Atirou-se no mulato com vontade e foi porretada de direita e canhota. Bateu com sustância, sovou com fôlego, quebrou as carnes, moeu bem moído. No fim, jogou fora o cacete e entrou de corpo. Numa boa sobarbada deu com o crioulo no chão. Sentou em cima e esmurrou à vontade. Quebrou as ventas, partiu dois dentes, entrou no olho... xingou nomes... desses de ouvindo dizer o Antônio Meiaquarta, tipo de rua, rei dos bocas-sujas da cidade: eu sei dois contos e quinhentos de nomes indecentes... Zóio de Prata sabe cinco contos... apanhei dela, bateu em mim... tou descarado, apanhei dela... muié praceada... êta muié sagais.Depois de ver o cabra mole, estirado, fungando, Zóio de Prata assungou a saia, abriu as pernas e mijou na cara de Izé da Bina.Estava vingada a Dondoca e consolidada a fama das Cômodas.


cora coralina

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Roxo- beringela

o roxo-vida-campo de futebol

Campo florido em flores roxas

É um campo. No sentido correto e incorreto da palavra. Objetivamente um campo, de futebol, com tamanho padronizado e com regras geométricas/ métricas estabelecidas. Um típico campo de futebol profissional, com gramas verdes, telas ao redor, altas e protetoras (tal qual: não possibilitam á fuga da bola), pois, são muito altos os alambrados .

O mais curioso é que é um campo bem tratado, cuidado e zelado, por alguém, ou alguns que não sei quem. Essa localização é o confronto que causa no pensamento, ao se tratar da localidade de onde está situado esse campo de futebol. É na verdade no meio do nada, longe e distante de casas, e provavelmente de pessoas, no entanto ele é muito bem cuidado. É agradável aos olhos.

Mas há uma peculiaridade intima e singela, e a beleza é um tanto onírica e surreal. Está abandonado, porem está belo.

É de um tamanho respeitável.

Há muitos matos ao redor, o matagal olha e se joga para dentro, tentando corromper á tela que o cerca. A grama está sempre bem aparada e a trave do gol são duas astes presas á uma terceira transversa que dá a sustentação para permanecerem em pé. Há uma rede margeando todas as extremidades do ferro branco e cilíndrico. E dois imensos eucaliptos e um outro abacateiro que olham de longe, sua presença imponente rodeado pelo matagal ofuscante e ousado que crescem dia-a-dia ás suas quadrantes margens.

Dentro desse contexto verde-grama-matagal e ferrugem-tela, há uma cor brilhante, porem mórbida ( cultura de cores), com uma certa luminosidade interessante. É uma espécie de planta parasita que se alastra há uma das extremidades dividindo bem ao meio como uma linha colorida, pintada, traçada, ou que sabe uma lata de tinta que fora jorrada e espalhada como que com um rodo, numa intensa vibração vista como em um quadro de “ Van Gogh”.

É o trabalho da natureza. É a força orgânica terrestre desempenhando o seu papel e construindo uma beleza impar diante dos olhos, como uma poesia colorida e altamente presencial.

O campo de gramas verdes é envolvido, não sei, mas creio que numa certa época do ano, ou uma determinada estação, por uma planta parasita com flores intensamente roxas, colorindo o opaco campo verde e alegrando sua inútil presença.

Sei que alguns pés e uma bola, um dia, acabarão com essa beleza, não perceberão e se quer um dia se culparão de estragar aquilo que um dia me fez parar e pensar na cor roxa.

Elas ainda estão lá. Esses dias passei por perto e ás vi. Tenho pena em pensar que um dia serão pisoteadas, por algum evento local ou mesmo por alguma atitude humana. Mas ali é um campo de futebol, e é obvio a sua função. Não é um campo apenas verde com flores roxas, e ninguém entenderá isso.

Dá vontade de perguntar ao eucalipto, ao abacateiro, ao matagal, ao gramado, e saber o que eles pensam disso, mas ai serei eu que não entenderei o que eles dirão. Esse é ciclo da ignorância e da incompreensão daquilo que morre sem sabermos por que nasceu.

sábado, 17 de maio de 2008

domingo, 20 de abril de 2008

!ensaios!



Paul Klee: Rua principal e ruas laterais (1929): tela, 0,83 X 0,67m.




Tentativas ,pensamentos , momentos, e tentativas!!!!

De criar e sutentar um pensamento lógico ou ilógico de algo que tenha realmente significado e importancia.

Passeio por letras-livros- literatura, escrevo algo, descrevo outros, desenho, pinto, sujo, borro, esboço-os, rasgo, e a lixeira tem papel importante nesse processo....limpo!

Ando mesmo pensando num campo de futebol em flores roxas!

segunda-feira, 17 de março de 2008

" Entra"

Ando catango migalhas e tropeçando em sujeiras, arrumo meu quarto e penso na vida que levo, instalo uma prateleira em penso no guarda-roupa, quero entrar dentro dele...como um típico almoço de domingo que não me faz bem, e penso no arroz com feijão.
A vida, o quotidiano, o ônibus coletivo, o cobrador, que cobra, e nao nos deixa passar a roleta antes de fazer-mos a nossa contribuiçao. O livro exigido, a leitura instantãnea, a vida metropolitana.
hoje sonhei com uma vida bucólica, de fazer e produzir aquilo que sonho e desejo,mas o que me resta do tempo e do cansaço do trabalho é uma cama pequena, num quarto apertado e com um barulho estrodoso da merda do ar-condicionado, do shopping vizinho. Quero e desejo o barulho apenas da água, o cantos dos pássaros, o sopro do vento, e o balançar das árvores.
Pensando bem sonho uma pele morena, natural,e uma boca rosada.
A presença das palavras certas e companheiras, o filme dos finais de expedientes e semanas, a musica escolhida, o sunday morning, edith piaf,e as fumaças da cabeças entorpecida e alúcinada, o quadro, a pintura, o desenho de klee, a tua presença, que rompe o silencio, e me silencia por dentro. O sonho. O acordar!

quarta-feira, 5 de março de 2008

" Abelha Gordinha"

A pergunta veio de um menino, pequeno,baixo e louro, com olhos puxados, meio oriental, polaco, europeu-tupiniquim, de terras poeirentas e das periferias das cidades metropólicas, dizia e se questionava sobre a ferroada de uma abelha gordinha.
Essa era a mais raivosa e severa da colméia, cuidava das outras e do seu alimento-favo, se alimentava das flores; e sua vida era bela, até vir a fumaça e acabar com seu trabalho e toda a sua labuta,rompendo seus cazulo,matando suas larvas e comendo do seu açucarado mel-de-abelha.
Esse menino era curioso, um tanto pegajoso, mas pensador, pensava na abelha gordinha.A pergunta veio na hora certa quando um narrador dizia histórias sobre marimbondos, veio meio como luz e jato, enchurrada, torrente, pesado e muito bizarro: - A ferroada da abelha gordinha dói muito né?.
A risada e a estupefaçao foram instantãnea e espontãnea, com uma força surreal e deliciosa, essa abelha gordinha era a rainha da colmeia, dita e expressada por esse menino, de cabelos escorridos e risada marota.