É um campo. No sentido correto e incorreto da palavra. Objetivamente um campo, de futebol, com tamanho padronizado e com regras geométricas/ métricas estabelecidas. Um típico campo de futebol profissional, com gramas verdes, telas ao redor, altas e protetoras (tal qual: não possibilitam á fuga da bola), pois, são muito altos os alambrados .
O mais curioso é que é um campo bem tratado, cuidado e zelado, por alguém, ou alguns que não sei quem. Essa localização é o confronto que causa no pensamento, ao se tratar da localidade de onde está situado esse campo de futebol. É na verdade no meio do nada, longe e distante de casas, e provavelmente de pessoas, no entanto ele é muito bem cuidado. É agradável aos olhos.
Mas há uma peculiaridade intima e singela, e a beleza é um tanto onírica e surreal. Está abandonado, porem está belo.
É de um tamanho respeitável.
Há muitos matos ao redor, o matagal olha e se joga para dentro, tentando corromper á tela que o cerca. A grama está sempre bem aparada e a trave do gol são duas astes presas á uma terceira transversa que dá a sustentação para permanecerem
Dentro desse contexto verde-grama-matagal e ferrugem-tela, há uma cor brilhante, porem mórbida ( cultura de cores), com uma certa luminosidade interessante. É uma espécie de planta parasita que se alastra há uma das extremidades dividindo bem ao meio como uma linha colorida, pintada, traçada, ou que sabe uma lata de tinta que fora jorrada e espalhada como que com um rodo, numa intensa vibração vista como em um quadro de “ Van Gogh”.
É o trabalho da natureza. É a força orgânica terrestre desempenhando o seu papel e construindo uma beleza impar diante dos olhos, como uma poesia colorida e altamente presencial.
O campo de gramas verdes é envolvido, não sei, mas creio que numa certa época do ano, ou uma determinada estação, por uma planta parasita com flores intensamente roxas, colorindo o opaco campo verde e alegrando sua inútil presença.
Sei que alguns pés e uma bola, um dia, acabarão com essa beleza, não perceberão e se quer um dia se culparão de estragar aquilo que um dia me fez parar e pensar na cor roxa.
Elas ainda estão lá. Esses dias passei por perto e ás vi. Tenho pena em pensar que um dia serão pisoteadas, por algum evento local ou mesmo por alguma atitude humana. Mas ali é um campo de futebol, e é obvio a sua função. Não é um campo apenas verde com flores roxas, e ninguém entenderá isso.
Dá vontade de perguntar ao eucalipto, ao abacateiro, ao matagal, ao gramado, e saber o que eles pensam disso, mas ai serei eu que não entenderei o que eles dirão. Esse é ciclo da ignorância e da incompreensão daquilo que morre sem sabermos por que nasceu.
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