segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Provocantes da pintura

Gostei de tanto de ver sua pintura exposta e colada á parede com fita crepe, que senti como aquele pescoço é um traço Modigliani, nas esticas da pele para dar todo aquele movimento expessivo e agressivo da imagem, com fundo verde e algumas texturas em laranja- tinta, mas uma laranja mesmo, meio laranja-fruta, encontrados em pomares dos vales de santa catarina, é toda uma doçura cítrica que se faz nas espalhadas tintas sobre o papel.
Seria doce de ver sem óculos essa pintura e ter, se quer por alguns minutinhos, essa sensação que você teve, e agora é cotidiano de sua vida linda, o viés sem as proteções da lente que antecedia seus olhos para a observação. Sua pintura é toda uma beleza singular que não se resulta em críticas de um " estudioso fóda " dessa área chamada artes, visuais, pelo viés das lentes e pelas necessidades de se dizer crítico, e poder estar dizendo aquilo que bem lhe convém, nas premissas de ser um mero observador primário, das margens daquilo que não viu do processo.
Vulcão, é um sinônimo interessante, mas para você é uma pétala de uma flor exótica, tão perfumada e provocante. Nas lânguitudes dos pescoços que se estendem pelas fibras de celuloses, com as cores certas, das quais eu busco para mim, é o que quero ficar, e você fez essa pintura com as visceralidades de ser menina e ser mulher. Quero uma imagem dessa para mim, quero comer a tinta que se espalha pelo pescoço sujo dos ateliês, pela unhas encardidas da mão calejada dos resíduos colorantes que á resultou, nas gostas do seu suor que caiu do pensamento, e quero colocá-la no meu quarto só para mim, e minhas outras figuras. Figuras essas que fazem parte do meu imaginário e que sustentam os meus devãneios noturnos e soturnos, vou vê-la se desprender do papel e sentir deitar na cama comigo, amando suas curvas e todos o seu tamanho de pescoço, sentirei seu cheiro de tinta e me molharei nas texturas cremosas de suas superfícies.
Está nas planicies dos papeis e também está nas ondulações imagéticas de meu pensamento, como um patinho branco que voa no céu e que vejo da minha janela atravessando as terras para encontrar o calor, esquecendo do frio. Desejo-te mais uma vez, cores presas ao papel, quadro, tela, pintura que estás chegando perto de mim.