terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Incompatibilidade Espacial


Oi.
Quero ouvir sua voz.
Dê-me a palavra, a voz, as escritas e a literatura.
Dê-me sua boca que eu dou os ouvidos.
Dôo-me á ti.
Pega minha audição, que eu desejo é o seu som, sua boca, sua boca, sua mucosa.
Transferência telefônica, canais abissais, paisagens voláteis.
Dissolvo-me em suspiros além/do lado de cá do aparelho de telefone, e percebo cuidadosamente como suas silabas se forma com seu som interno, saindo de suas cordas vocais, passando pela língua, batendo nos dentes, nos movimentos dos lábios, dos olhos, sobrancelhas, nariz, e músculos faciais.
Oi.
E com medo eu me calo.
Um sono insuperável tomou-me, vou andar na noite quente de verão.
E deito cansado para não mais pensar,e meu corpo querer sentir-te.
Apenas voz, palavra que me alimenta, som que me destrói.
Minhas fraquezas. Minha fraqueza.
Tu.
Desligou o fio que nos uniu durante quase duas horas.
Vou dormir, vai dormir.
Conversaremos e pensaremos.
Água e superação marítima.
Continente.

2 comentários:

josé artur campos disse...

gostei, muito.
só não eu fui quem desligou e acho que caida foi a ligação.

iglu.

josé artur campos disse...

gostei, muito.
só não eu fui quem desligou e acho que caida foi a ligação.

iglu.